Palavras do Presidente

Como presidente da Organização Bombeiros Unidos sem Fronteiras para os países de língua Portuguesa – BUSF-CPLP, tenho o dever e compromisso de alavancar representações de nossa instituição nos nove países que compõe a CPLP como o Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial. Mas muito mais que representação minha função principal é criar condições da instituição superar desafios e barreiras contrárias à criação de organizações independentes de resposta a desastres sejam elas no Brasil, nos países de língua portuguesa ou mesmo demais países que sejam signatários das Nações Unidas. No Brasil as organizações privadas e ONGs, de Bombeiros, resposta a desastres, urgência e emergências, vem demonstrando interesse e arregaçando as mangas para organizarem-se em instituições legalizadas com profissionais das áreas de Prevenção e Combate a Incêndio e demais Profissionais de Saúde que doam algumas horas de suas folgas para poderem atender as comunidades em suas regiões ou mesmo fora delas, uma prática muito bem organizada e em pleno funcionamento em Portugal por exemplo.

No mundo o sistema de bombeiros voluntários é extremamente respeitado e recebedor de incentivos por parte das populações, dos governos e das empresas privadas, o que, infelizmente não se vê ainda aqui no Brasil (sede da BUSF-CPLP) ou mesmo em alguns países componentes da CPLP com enfase aos Africanos. Um dos grandes empecilhos para esse desenvolvimento é a falta de apoio dos órgãos públicos como Corpos de Bombeiros, Defesas Civis e outros organismos, em virtude de uma falta de legislação que ampare algumas parcerias público/privadas no setor e a falta de união dos profissionais bombeiros, seja no âmbito político, seja no âmbito institucional, o que mostra ainda uma classe sem direcionamento e desunida em lutar por direitos.

Em muitas cidades brasileiras e países da CPLP, podemos ver o notório sucateamento de materiais e equipamentos além da falta de incentivos para treinamento e capacitação de profissionais e o pouco interesse dos governantes em oferecer suporte financeiro às corporações que tem sob seu guarda-chuva de responsabilidade. Imagina então com as ONGs que se organizam com parcos recursos de seus próprios membros e algumas poucas doações!

A organização das Nações Unidas recomenda que nas áreas urbanas e rurais se tenha 1 bombeiro para cada 1.000 habitantes,. De acordo com levantamentos realizados pela BUSF no Brasil, somente os Estado de São Paulo possui aproximadamente 450 mil bombeiros civis formados, em formação, atuando ou não na profissão, e ainda de acordo com o ultimo censo de 2010 somente no Estado de São Paulo seriam necessários nada menos que 41.000 bombeiros isso é óbvio se fossemos seguir a recomendação das Nações Unidas por baixo, pois estudos mostram que o ideal para não sobrecarregar o sistema e ofertar um serviço de excelência as populações, seria 1,5 bombeiros a cada mil habitantes, o que faria saltar esse número de necessidades para mais de 60 mil bombeiros somente no Estado de São Paulo (Brasil).

Poderíamos citar varias fontes, apresentar uma diversidade de necessidades e barreiras que cobram e prejudicam a criação de entidades de resposta a desastres independentes das corporações existentes hoje nos países da CPLP sejam eles civis ou militares. Em virtude dessa necessidade premente e observando-se as ocorrências cíclicas no âmbito de emergências de grande porte e catástrofes naturais, foi criada a Organização Bombeiros Unidos Sem Fronteiras – BUSF-CPLP, para oferecer às comunidades atingidas por desastres naturais um maior suporte de resposta por parte da própria comunidade, organizada, treinada e capacitada, já que os governos não apresentam condições de dar suporte adequado às emergências. Tudo isso pode ser notado aqui no Brasil, por exemplo, com as chuvas de princípio de ano no sul e sudeste do país, as secas cíclicas no sertão nordestino, os vendavais que se tornaram rotina no sul do país, sem deixar de falarmos nos desastres de natureza antropogênicas como no caso de Mariana - MG em 2015 , onde as perdas ambientais serão permanentes por vários anos. Para falarmos de países da CPLP, temos Portugal com seus incêndios florestais que anualmente ceifam a vida de população e de bombeiros.

É claro que nenhum país esta totalmente preparado para grandes catástrofes haja vista a maior potencia do mundo ter ficado de joelho quando da passagem do furacão Catrina em sua costa e o grande vazamento de petróleo no Golfo do México da plataforma da BP, que gerou além dos prejuízos ambientais, prejuízos incalculáveis de cunho sócio-ambiental para as populações locais.

Outro entrave para as populações menos assistidas, são a transformação dessas em vítimas em virtude de conflitos armados ao redor do planeta, deixando não somente as vítimas humanas como adultos, crianças e idosos, mas também as vítimas de naturezas sociais como refugiados de guerra, que procuram fugir através de fronteiras para países vizinhos, causando caos social e que passou a ser um problema também mundial.

Assim a BUSF-CPLP, Tem o intuito de contribuir de maneira simples, porém objetiva e direta para que de maneira contributiva possa dirimir as necessidades dessas populações atingidas, através de seus programas de ajuda Operacional, Humanitária e Técnica.

Para consecução de nossos objetivos, queremos contar com o apoio dos Órgãos Governamentais, a Classe Política, as Empresas Nacionais e Estrangeiras de todos os países componentes da CPLP e com a sociedade organizada, para podermos juntos, equipar e aparelhar essa instituição de ação internacional.

Bolívar Fundão Filho

Presidente

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